domingo, 11 de novembro de 2012

NÃO JULGUEIS





“Não Julgueis, a fim de não serdes julgados; porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros; empregar-se-à convosco a mesma medida de que vos tenhais servido para com os outros.”   
(Evangelho de Mateus, Cap. 7: 1-2)


O luminoso ensinamento de Jesus, registrado por Mateus e pelos evangelistas Marcos (4:24) E Lucas (6:37), destaca os perigos de nos deixamos levar pelos julgamentos “ inconsequentes” de situações e pessoas, sem nenhuma cautela, alterando o verdadeiro juízo dos acontecimentos. Não somos comedidos nas sentenças que proferimos ao usarmos de excessiva severidade para com os “deslizes alheios”, esquecendo-nos dos graves erros que cometemos, quiçá, muito mais sérios do que aqueles que apontamos. Essa máxima é interpretada de forma judiciosa por Allan Kardec ao afirmar: [...] não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos.
Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.
O mal deve ser banido, pois constitui um dever reprimi-lo, o que daí deverá resultar em benefício para consolidação de uma sociedade ética e justa. Todavia, a reprovação lançada à conduta de outra pessoa, não significa denegri-la perante os demais, pois, nesse caso só a maldade e maledicência. Jesus não proibiu que se destruísse o mal, dando-nos exemplos significativos para combatê-lo, mas chamou a atenção para agirmos de acordo com os verdadeiros preceitos da caridade cristã.
Os malefícios decorrentes da atitude imprudente de escarnecermos o próximo, sem os cuidados necessários na apreciação que fazemos da sua conduta, estimulam a crítica contumaz das pequenas imperfeições que possui sem nos darmos conta de que certas ações que deploramos em outrem são insignificantes diante das dificuldades morais “que ainda possuímos”. O autor espírita Rodolfo Calligaris (1913-1975) legou-nos importantes contribuições a respeito do tema, sobretudo ao afirmar que “gostamos de passar adiante fatos e boatos desagradáveis” com intuito claro de provocar rumor: Não raro, aquilo que nos chega aos ouvidos são meras conjeturas e suposições maldosas, às quais não deveríamos dar o menor crédito. Levianamente, porém, não só as transmitimos à outrem, emprestando-lhes foros de veracidade, como até exageramos, acrescentando-lhes detalhes fantasiosos para melhor convencer os que nos escutam.
Quanto desamor ao próximo ressalta dessas atitudes!
Ao se referirem às palavras delituosas e levianas que transmitimos ao mundo, os amigos espirituais alertam-nos para a rapidez com que elas de deflagram, constituindo-se “nesse quase imperceptível fermento de incompreensão”, sendo responsável pelo surgimento de “vasta epidemia de maledicência, resultado do exagero de nos intrometermos na vida alheia”.
Certas depreciações excessivas transformam-se em calúnia, fruto de falta de vigilância daqueles que possuem o errado hábito de menoscabar, pelos motivos mais corriqueiros, as pessoas que agem de forma contrária à sua maneira de ser. A partir daí surgem as ofensas, transformando-se em querelas graves, difíceis de solucionar e que irão influir negativamente, na convivência entre os indivíduos no meio social, familiar, profissional ou religioso, onde permanecem, criando toda sorte de obstáculos para favorecer um relacionamento cordial e afável. Alguns preferem se tornar adversários um dos outros e chegam ao cúmulo de lutarem entre si, de modo sub-reptício, com a intenção de enfraquecer o oponente, ao se utilizarem da difamação para atingir os seus torpes objetivos. Infelizmente, isso é mais comum do que se supõe. Os que assim agem não recuam diante da infâmia, espalhando-a ao redor de todos: [...] Em conseqüência, quando o perseguido se apresenta nos lugares por onde passou o sopro do perseguidor, espanta-se de dar com semblantes frios, em vez de fisionomias amigas e benevolentes que outrora o acolhiam. Fica estupefato quando mãos que se lhes estendiam, agora se recusam a apertar as suas. Enfim, sente-se aniquilado, ao verificar que os seus mais caros amigos e parentes se afastam e o evitam. [...]
É possível que venhamos a ser submetidos por momentos de estupefação quando julgados, da mesma maneira, por falsas aparências, resultados de comentários maldosos em torno de nós, como se estivéssemos empenhados na exemplificação dos próprios defeitos ou pela interpretação errônea dada às nossas palavras e ações, tornando-nos motivo de críticas inconsideradas por parte dos conhecidos, dos amigos e das afeições mais sinceras.
Nossa alma sofre e se constrange, sem saber o que fazer para dirimir a dor e o desapontamento de ocasiões como essas! Aconselha-nos o espírito Emmanuel, em uma de suas sábias lições: Atingindo esse ponto nevrálgico no nosso caminho, não te permitas o mentiroso descanso no esmorecimento.
Se trouxeres a consciência tranquila entre os limites naturais de tuas obrigações ante as obrigações alheias, ora pelos que te censuram ou injuriam e prossegue centralizando a própria atenção no desempenho dos encargos que o Senhor te confiou, de vez que o tempo é o juiz silencioso de cada um de nós.
Ao vivenciarmos situações como essas, precisamos buscar condições morais imprescindíveis para vencer os obstáculos terrenos, sem procurar acusar ou ferir os que nos prejudicam e desanimam, pondo à prova nossa paciência. Cada Espírito, mormente encarnado, colherá os bons efeitos de seu esforço, contribuindo para a evolução e a felicidade de todos, ou criará sofrimento para si se impedir que o bem seja praticado, procurando coibir a efusão das boas relações entre as pessoas.
O Espírito São Luiz, em resposta às perguntas formuladas por Allan Kardec, dá-nos orientação de como agir em certas situações nas quais seja necessário corrigir aqueles cuja tutela nos foi confiada. Diz ele:
[...] deveis fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não, como as mais das vezes, pelo prazer de denegrir. Neste ultimo caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprida com todo o cuidado possível. [...]
O preclaro Espírito complementa o seu pensamento analisando o problema sobre a iniciativa de destacarmos as “imperfeições dos outros, quando daí nenhum proveito possa resultar para eles”:
Tudo depende da intenção. Decerto, a ninguém é defeso ver o mal quando ele existe.
Fora mesmo inconveniente ver em toda a parte só o bem. Semelhante ilusão prejudicaria o progresso. O erro está em fazer-se que a observação redunde em detrimento do próximo, desacreditando-o, sem necessidade, na opinião geral. Igualmente repreensível seria fazê-lo alguém apenas para dar expansão a um sentimento de malevolência e à satisfação de apanhar os outros em falta. [...]
A autoridade daquele que censura deve apoiar-se no exemplo do bem. “[...] Tornar-se alguém culpado daquilo que condena noutrem é abdicar dessa autoridade, é privar-se do direito de repressão. [...]”. Lições válidas, sobretudo para os pais que precisam reprimir os filhos, afim de que não adquiram vícios, desregramentos e péssimos hábitos.
Ao educá-los, porém, conseguem primar na demonstração de uma boa conduta? Nem sempre:
Dizer-lhes que não devem fumar beber, nem jogar, que devem ser recatados, honestos, leais, verdadeiros, etc., quando eles próprios, fumam, bebem, jogam, transigem com indolência, enganam-se um ao outro, falam mal das pessoas que compõem o seu circulo de amizades, mentem deslavadamente, violando a todo instante, as regras mais comezinhas do bom proceder, só pode dar nisso que vemos por aí.
Certas conversações de esclarecimentos exigem firmeza, sem indecisão, o mal não deve preponderar nas atividades verbais, ampliando-lhe a esfera de ação.
É indispensável nos precavermos da apreciação unilateral, pois não existe imperfeição completa ou perfeição integral no plano terreno em que estagiamos. Desse modo, quando o problema surgir entre as criaturas, é razoável procurar a companhia do Mestre para solucioná-lo à Luz de seus ensinamentos. 
“Aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra”. Não somos dignos de julgar as atitudes dos outros. Somos espíritos devedores perante o Tribunal Divino, temos muito ainda o que trabalhar em nós, a reclamar ao Pai, incessantemente o perdão de nossas faltas, de nossas atitudes malsãs, de nossas querelas e conflitos sociais.
  
  

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Senhor, fazei de nós instrumentos da Vossa Paz